terça-feira, 14 de agosto de 2018

O que é o "BTBr"?

A Rede BTBr (Bruxaria Tradicional Brasil) foi criada pelo Magíster Roberto de Souza (Bruxo Lupus) com o objetivo de popularizar conhecimentos básicos sobre a Bruxaria Tradicional no Brasil, especialmente sobre a Stregoneria (Italiana), Mageía Athinaíos (Grega), Galdra/Spae/Sedhr (Nórdicas) e Draíocht (Célticas).
Define-se por Bruxaria Tradicional (BT) antigas práticas de culto regionais da Europa desvinculadas das religiões sociais, tradições heterogêneas e singulares de acordo com a região a qual pertencem, não é pagã e não é cristã, mas contém elementos de ambos, aderente ao sincretismo histórico em algumas tradições (em oposição ao sincretismo e universalismo neopagão), caracterizada por aspectos e espiritualidade tribalizada e oculta, ensinada e repassada para novos adeptos de forma empírica/prática, e conservada em grupos familiares e seus agregados ou coventículos/congregas/conciliábulos.
Respostas a perguntas frequentes: 1) Wica Tradicional NÃO é Bruxaria Tradicional; 2) Algumas tradições de BT incluem o Diabo enquanto um arquétipo, uma herança do medievo; 3) Há algumas semelhanças entre a Wicca e algumas tradições de BT em virtude de a Wicca ter se espelhado nessas tradições; 4) A BT tem origem nos povos indo-europeus e no Neolítico, a Wicca foi criada por volta de 1945; 5) As tradições de BT não possuem deuses que são chamados de "Grande Mãe" e "Cornífero"; 6) Embora não muito frequente, existem sacrifícios animais nos rituais da maioria das tradições de BT; 7) Nem todas as tradições de BT incluem um ritual de iniciação; 8) Preto é uma cor raramente utilizada em vestimentas das tradições de BT; 9) As tradições de BT se relacionam e trabalham com maior frequência com espíritos dos mortos, ancestrais e demônios, e raramente com divindades.
A BTBr abre portas também para os interessados/as em se aprofundar nos mistérios da Bruxaria Tradicional Italiana e se disporem aos testes de integração (para tornar-se adepto/a) do Congrega Brasil, interessados/as em integração podem entrar em contato direto com a liderança para verificar tal possibilidade pelo whatsapp 051995776891 (Mr. Roberto/Lupus).

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Deuses, Demônios e Mitos

Talvez não devêssemos chamá-los assim (de “Deuses”), pois alguns deles são muito maiores do que a palavra “deus” é capaz de definir, enquanto outros (muito comuns nas religiões sociais) foram apenas grandes personalidades humanas que foram divinizadas (semelhante ao que ocorre na Igreja Católica com seus santos). Muitos deuses que hoje conhecemos foram inventados pelo imaginário humano que cria seres grandiosos para sentir-se protegido do desconhecido (muito comum nas religiões sociais), nós, bruxos e bruxas tradicionais, trabalhamos justamente com este “desconhecido” tão temido. Para ilustrar eis o mito sobre o Diabo:

“O Diabo era muitas coisas, entre elas, era belo
Mas seu poder era assustador, sua manifestação era grandiosa
Poucos tiveram coragem para aproximarem-se dele e compreendê-lo
Mas muitos tiveram medo! Temiam a ele e a todos que aliaram-se a sua força
Então os temerosos criaram algo que chamaram de Deus
E dizia-se que este era mais poderoso que o Diabo e que o venceria
Tal como seu inimigo.”

Para algumas tradições de BT o Diabo é uma das maiores forças da natureza e por trás dele existe a verdadeira essência divina, todos nós conseguimos perceber lampejos dessa essência magnânima na beleza incontestável das coisas da natureza (rios, mares, florestas, bosques, animais…) e compreendemos nossos “deuses” exatamente dessa forma: grandiosas e singulares forças da natureza (e do universo)! O Diabo tornou-se um arquétipo da sabedoria oculta da natureza para os cainitas, assim como outros aspectos presentes na Bruxaria Tradicional que partem desses arquétipos cainitas a exemplo também do Anjo Caído, a Marca de Caim, entre outros. Entende-se que toda tradição de BT terá o seu Diabo tal como um arquétipo, ou seja, uma entidade importante e grandiosa dotada de magnânimo poder e sabedoria oculta, considerado o Grande Iniciador, a encarnação da Liberdade (principalmente pessoal e sexual) e uma força natural genuína. Na Tradição Portuguesa o arquétipo do Diabo é, sem dúvidas, Kabaros algumas vezes chamado de Kabaros Lucífero. Temos alguns mitos medievais que fazem alusões a possíveis Anjos Caídos, mas, com certeza, o melhor exemplo de um Anjo Caído é a Arádia que, encarnando um Lasa (espírito etéreo), tem a missão de trazer a Stregoneria (tradição italiana) de volta no ano de 313 em nome de Diana.


É engraçado como o advento do Cristianismo na idade média tornou o Diabo e seus demônios arquétipos (novas formas generalizadas) para as forças desconhecidas da natureza, e Deus (como um todo) um arquétipo de forças protetoras contra o “desconhecido”. Precisamos ser realistas e compreender que, no aspecto religioso, muitas coisas (deuses, seres, mitos e milagres) são pura fantasia humana para inspiração de fé, e apenas isso. Historicamente (e para muitos bruxos tradicionais) o Cristianismo é a maior prova disso, pois é uma das doutrinas mais baseadas no medo e nos erros (pecados) do mundo! Este sempre foi um indício de criatividade humana para se aproveitar da ignorância alheia para ganhar dinheiro ou poder político, eles prometem proteção e livramento das coisas obscuras, ocultas e diabólicas através do temor e da obediência (evidência óbvia), prática comum entre os romanos e egípcios (não pense que os pagãos eram muito diferente dos cristãos). É fato que os hebreus (precursores dos judeus) eram servos dos egípcios e foram muito influenciados por esta cultura e que os cristãos primitivos se consolidaram em Roma (nascimento da Igreja Católica Apostólica Romana) que também os influenciou muito (entre outras culturas como os sumérios).

Partindo desse entendimento conseguimos perceber como o Diabo se torna um arquétipo dentro do entendimento maniqueísta cristão: o modelo de Set - do Submundo (antagônico a Rá - o Sol); o nome “Lúcifer” - um deus sumério da luz; o modelo de Plutão - sincretismo de Hades; e o sincretismo de Dianus Lucifero (o conjuge da deusa Diana). O mesmo ocorre com Cristo ou Javé, pois Rá é a luz do mundo e o Criador (Pai); Baal é o deus sumério que está nos céus; Júpiter é o Pai Celeste; Sol Invictus, Dionísio, Mitra (e outros deuses) nasceram no solstício de verão (por volta de 25/12) e - alguns - nasceram de virgens. Todas estas histórias denotam as influências que o cristianismo sofreu ao longo do tempo e história, e, sim, estes deuses são bem mais antigos que o cristianismo (especialmente os egípcios).

O Cristianismo é extremamente maniqueísta, esta é uma influência egípcia, mas até os egípcios serão menos maniqueístas que os cristãos e reconhecerão que nada no mundo é “totalmente mau” ou “totalmente bom”, e muito menos que exista uma índole absolutamente má ou boa. Nós, bruxos e bruxas tradicionais, sabemos que a neutralidade perpassa tudo, pois assim é a magia, “nem boa, nem má”, ou seja, entre o preto e o branco há muitos tons de cinza. O bem e o mal serão sempre relativos para nós. Tudo tem um lado bom (por mais amargo que seja pode ensinar algo…), tudo tem um lado ruim (por mais doce que seja pode iludir e enfraquecer…), no fim tudo é cinza, é importante reconhecer este cinza em cada coisa, pois o mundo real é cinza e isto quer dizer que o  mundo mágico também o é.

Muitos deuses (pagãos e cristãos) são apenas Espíritos da Terra que procuram ajudar seus descendentes a partir dos mistérios do Outro Mundo e de algumas forças da natureza, este é o motivo de trabalharmos com poucos “deuses”, pois além de existirem deuses que são criações humanas, existem deuses que são apenas personagens de um mito representados na realidade por algum espírito da terra para que estes “adoradores” não fiquem totalmente desgarrados (embora seja inevitável). Os “deuses” com os quais nos relacionamos são muito mais que histórias, milagres, mitos e lendas, eles na verdade estão por trás de tudo isso e são os mistérios desconhecidos por trás de cada força da natureza. O que realmente importa é o que podemos tocar, vivenciar e praticar: o conhecimento ancestral e tradicional que entende e trabalha com essas forças da natureza, e o poder do sangue que nos torna deuses entre os outros. Não somos adoradores dessas forças (“deuses”) somos contempladores que mergulham nelas, as entende, trabalham com elas, sendo amigos/irmãos/parentes delas, e, por fim, casando com elas (iniciação).

- Bruxo Roberto D' Souza
Consultas, Cursos de Magia e Trabalhos Espirituais
051 95776891 (WhatsApp)

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Descensum: A Viagem ao Inferno

Então você viu a terceira temporada de AHS (Coven) e resolveu acreditar nisso?! Não. Esse é um processo ritualístico existente e antigo, porém destinto do que é retratado na série, embora seja uma considerável ilustração ao "roteiro" real. Recomendo a leitura do texto recém postado sobre "Trabalhos com Demônios na Bruxaria Tradicional", pois mais uma vez nos voltamos para a misteriosa Stregoneria (...).


Como explanei no texto sobre trabalhos com demônios a palavra Inferno se origina do termo em latim infernus ou infernum que se refere etimologicamente a um outro mundo que estaria INFERior ao nosso. Ao traduzir a bíblia judaico-cristã de aramaico e hebraico para o latim (idiomas muito distintos) os tradutores acharam que a melhor palavra para rotular seu suposto submundo cristão seria Infernum, mas, como sabemos, a cultura hebreia foi diretamente influenciada pelas religiões politeístas egípcia, suméria e fenícia (e, mais tarde, pela cultura helenística greco-romana), por tanto, o inferno hebreu é um plágio do Duat egípcio. Essa breve explicação é a chave para desvincularmos nossa compreensão de Inferno aqui da visão cristã sobre o mesmo atualmente popularizada.

Na Stregoneria e religião romana o Inferno é apenas o submundo dos antigos italianos e seus povos indígenas, ou seja, trata-se de um reino dos mortos tal como o Hades dos gregos e o Hel para os nórdicos. Na cultura grega, próximo ao Hades está o Tártaros que podemos descrever com a ala densa, tortuosa e perigosa desse mundo mórbido; na cultura nórdica, a baixo do Hel ainda há o Niflhel que é exatamente similar ao Tártaros, ou seja, é onde está o ardente caldeirão de Hel fervendo as almas malditas; no Infernum italiano não é diferente, existe também uma ala pouco recomendada para se estar, mas no geral (80%) é apenas o reino dos mortos.


O daemon mais conhecido e que, por sua vez, acaba - as vezes - dando nome ao próprio Inferno é Orco. Um dos daemones mais poderosos e regente da morte que é retratado em imagens etruscas como um homem barbado as vezes confundido com Plutão pelos mais leigos na popular religião romana. Também descrito (Orco) como "Irmão da Noite" nos textos de Virgílio em referência ao seu poder em trevas. Mas, além do substantivo infernus, este mundo inferior também era chamado de Averno.

Lêmures é o termo dado para espíritos malfazejos na cultura italiana, são espíritos que negam-se a ir para o Inferno, pois sabem que serão destinados à ala tortuosa onde ficariam perdidas em sofrimento até conseguirem energia (ou apoio energético) para ascender para os "andares" da ala mais tranquila e, para isso, precisam trabalhar arduamente e aprender a "jogar" com os demônios.

O Descensum é citado e ilustrado em alguns poemas e lendas da Idade Antiga tanto gregos quanto romanos. Na Odisséia de Homero Odisseu é orientado pela bruxa Circe e pelo Vento-Norte (Bóreas) a descer com seu barco ao Hades para buscar o espírito de uma pessoa morta; Na Eneida de Virgílio Enéias vai ao "reino de Plutão" guiado pela sacerdotisa de Febus. Na Stregoneria descer ao Inferno é um passo importante, processual e - obviamente - perigoso, logo, para ser feito é preciso ter sido evidentemente preparado ao longo do tempo a nível energético, intelectual e espiritual.



O aspecto "processual" do Descensum fica claro quando entendemos o Uestibulum Infernales que podemos ilustrar como os andares de um edifício que são organizados de acordo com as questões humanas em torno da morte: Luctus (Remorso), Morbus (Enfermidade), Senectus Tristi (Velhice), Metus (Medo) e Egestas (Pobreza). Virgílio nomeia esses "andares" de Umbrais (tendo escrito seus textos muito antes de o Espiritismo sonhar em existir...), nos primeiros umbrais estão as almas das crianças tiradas - pela morte - precocemente de suas mães, os condenados à morte por crimes terrenos são julgados em tribunais presididos pelos Minos (Juízes); nos umbrais posteriores estão os que se deixaram destruir pelo amor onde, segundo Virgílio, está a árvore sagrada de Vênus; nos umbrais mais à baixo estão os suicidas que vivem sem o almejado "sossego" sonhado no ato; mas é no mais inferior e oculto dos umbrais que está a bifurcação entre os caminhos dos umbrais comuns (antes citados) para dois caminhos: Os Campos Tranquilos -à direita- e o Extremo Umbral -à esquerda- (também citados na cultura helenística como Campos Elísios e Tártaros) sendo totalmente distinta daquela famosa ideia onde o "paraíso" estaria no Céu ou seria Superior.


A bruxa arcaica, semelhante aos heróis de Homero e Virgílio, possui várias razões para descer ao Inferno ligadas à conquistas e revelações que estão ligadas famosa máxima délfica "Conheça a Ti Mesmo" também presente (de forma semelhante, e não igual) na Stregoneria, mas não existe um Inferno Pessoal, essa é apenas uma metáfora para o quão a bruxa conhecerá a suas próprias sombras após sua descida. Há inúmeros mistérios e detalhes sobre esta questão que não revelarei aqui, contudo, todo esse texto abre portas para uma larga compreensão e desconstrução do Inferno na Bruxaria. Escrevi textos mais aprofundados sobre este lado oculto da Stregoneria, Daemones e Inferno no curso MAGIA REAL, para ampliar seus estudos e entender melhor as bases e os procedimentos recomendo o curso. Para adquiri-lo entre em contato pelo whatsapp 051 9577-6891.


- ROBERTO DE SOUZA 

domingo, 1 de outubro de 2017

Trabalhos com Demônios na Bruxaria Tradicional?

Depois de meses sem postar nada inédito no blog retorno com um tema polêmico que atrai muitos curiosos: a relação e o trabalho com espíritos demoníacos na BT (...).


Antes de tudo é importante compreendermos que, para a BT, não existe uma magia rotulada como negra ou branca, para resumir: tudo é cinza. A bruxa é cinza! Pois não é possível construir sem destruir e vice-versa, isso fica bem claro na famosa lei da ação e reação que geralmente é interpretada como "lei do retorno". O mal e o bem são relativos e isso é intrínseco a qualquer ser existente visível ou invisível, as bruxas que se classificam como "boas" ignoram a destruição que está por trás de cada construção mágica feita pela mesma. Não cremos em karmas, lei tríplice ou qualquer similaridade. Existe um retorno? Não como as pessoas pensam! O retorno seria uma reação da ação, é como um diálogo se soubermos usar as palavras certas para dizer o que é necessário não teremos uma reação bruta da parte do outro, esta é a dica, saber fazer. Eu poderia passar esse texto todo falando sobre essa questão, mas sigamos rumo ao tema...

Para abordarmos este assunto precisamos começar do início e quando me refiro a "início" falo de uma visão primitiva sobre a questão, é importante os satanistas de plantão começarem a separar o joio do trigo quando usam a mitologia bíblica judaico-cristã para justificarem a origem dos demônios mais famosos, um básico conhecimento sobre história nos revela a ascensão cristã após a queda do Império Romano e, consequentemente, do fim da Antiguidade para o início da Idade Média, contudo, o trabalho com espíritos demoníacos já existia entre os "pagãos" muito antes de o cristianismo, judaísmo ou magia salomônica sonharem em existir, ou seja, vem de um tempo tão primitivo que as organizações políticas (governos liderados por reis, rainhas e imperadores) mal existiam.

Para começar a palavra "demônio" não pertence ao hebraico ou aramaico, mas tem origem grega (Daimon, significa Espírito. Geralmente era utilizado para se referir a Espíritos Etéreos, ou seja, "fadas") e é incorporada ao latim (Daemones, significa Espíritos Infernais) e, por consequência, na tradução da bíblia para o latim foi uma palavra escolhida para rotular seres da mitologia judaico-cristã. Não preciso ressaltar a gigantesca discrepância entre os idiomas hebraico e aramaico em relação com o latim, pois é enorme! Há dois fatores que, historicamente, interferem nessa questão: 1) os hebreus foram diretamente influenciados pelos egípcios ao serem escravizados pelos mesmos e isso explica toda a construção da imagem de um deus muito similar ao Rá egípcio e a concepção de céu e inferno uma vez que os egípcios tinham a mesma ideia de reino subterrâneo cheio de provações e de um julgamento pós-morte realizado por Osíris (entre tantos outros aspectos...), mas o principal é a existência de espíritos imundos que se alimentavam de fezes, habitavam o Duat (submundo egípcio) e realizavam trabalhos de maldição; 2) Embora os espíritos maus da mitologia judaico-cristã fossem uma cópia dos espíritos imundos egípcios dentro de uma concepção geral (pois outras influências tais como os sumérios e fenícios também influenciarão os hebreus) os tradutores da bíblia utilizaram uma palavra que os antigos italianos usavam para se referir aos "Spiritum Infernales" que não eram exatamente espíritos imundos ou maus, mas foi a palavra que julgaram mais próxima, um grande erro!

Há duas discordâncias da compreensão judaico-cristã em relação com o entendimento das antigas bruxas italianas. A primeira é com relação ao Inferno, no latim esta palavra se refere a um mundo INFERior, ou seja, a baixo do nosso mundo, semelhante ao Hades dos gregos e ao Hel dos nórdicos, tratava-se apenas do reino dos mortos para onde todos (sem exceção) iriam no pós-morte. Logo o Inferno real não é cheio de fogo e sofrimento eterno, não vou dizer que é o melhor lugar para se estar, contudo, digamos que existem vários andares/planos no Inferno (...). A segunda está atrelada aos demônios, são espíritos que trabalham no Inferno e com os mortos e por isso são consequentemente carregados da maldade humana, suas essências não é boa ou má, mas, com certeza, eles não são de muita conversa e doçura, pelo contrário, são desconfiados, objetivos, amargos e de poucos amigos, mas fazem parte do mundo natural tal como qualquer outro espírito. Não deixam de ser espíritos etéreos, mas seu instinto está voltado para o lado mais egoísta da natureza. E, sim, as stregas trabalham com eles para a vulga magia "negra" dentro da bruxaria tradicional italiana.

Ao meu ver, muitos magistas negros trabalham - sem saber - com alguns deles, por mais que os chamem por outros nomes ou os evoquem a partir de uma outra roupagem ritualística, afinal, após séculos sendo chamados de demônios esse "rótulo" adentrou o Outro Mundo e se enraizou para classificar sua espécie.

Os bruxos e bruxas tradicionais que praticam a Stregoneria geralmente não hesitam em solicitar os favores dos demônios, e, sem culpa ou medo, mas apenas cuidado e respeito. Há diversos mitos que tentam explicar, na bruxaria, a origem deles, mas prefiro a teoria de que foram espíritos humanos muito antigos que após morrerem assumiram tais postos por terem passado por experiências muito densas e amargas.

Apresento mais detalhes sobre o trabalho com demônios e informações sobre a Stregoneria no curso "MAGIA REAL" que se trata de um livro com três partes onde abordo da teoria à prática várias formas de magia e bruxaria tradicional e resolvi comercializá-lo, para adquirir entre em contato comigo por meio do contato (whatsapp) 051 9577-6891.




- Roberto de Souza

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Purificação do Lar com Runas em Velas


Depois da limpeza física e de jogar um pouco de água com sal grosso pelos cantos da casa, faça esse simples ritual adaptado de técnicas tradicionais rúnicas.

Use uma ou três velas brancas e as runas Fehu, Kenaz e Sowilo (as três na mesma vela como está na foto ou uma em cada vela) desenhando-as com tinta preta ou vermelha enquanto canta os sons de cada uma:
..


"Ffffffff.. Ferru..."
"Ka ke ki ko...."
"Ssssssss... Souelu...."

Acenda a vela (com fósforo) e vá caminhando com ela pela casa ao cantar os sons rúnicos e desenhar a runa Kenaz no ar e nos quatro cantos de cada cômodo. Chegando na porta de casa sopre a chama da vela para fora de casa apagando a mesma. Reacenda a vela cantando apenas o som de Fehu e deixe queimando até o fim no cômodo principal da casa. Está feito.


OBS: Esta é uma adaptação de um ritual tradicional feito com tochas pequenas, este ritual também foi resumido para se tornar mais fácil de realizar (outros detalhes são mais complexos e misteriosos).


- Roberto de Souza

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Os Elfos (Álfar)


Há uma tendência medieval - que se estendeu ao renascentismo e ao modernismo - de tentar facilitar a compreensão humana sobre a grande diversidade presente nas existências e Mundos sincretizando, misturando e universalizando todos os seres etéreos, divindades e costumes na tentativa de unificá-los e simplificá-los acabando por desrespeitar totalmente sua real origem, significado e singularidade. Muitos autores antropocêntricos colocarão os elfos (álfar na Islândia) como fadas de forma genérica incluindo-os entre o que os modernistas chamam de 'Elementais' (termo que teve grande reverberação no Renascimento entre ocultistas e esotéricos), mas os elfos são extremamente singulares e genuínos aos olhos dos que os conhecem (e isso melhora quando você conhece também conhece as fadas célticas - sióga na Irlanda - e nota a gigantesca diferença!).



Na Tradição Islandesa dois tipos de álfar são considerados: os ljósálfar (elfos da luz) e os dökkálfar (elfos do escuro). Os Ljósálfar pertencem a morada de Alfheimr e são regidos pela deusa Sunna e pelo deus Freyr, estão associados a elevação, a inspiração criativa, as artes, a sensibilidade, intelectualidade e a música (natureza da runa Ansuz); os Dökkálfar pertencem a morada de Dökkalfheimr juntamente com os Dvergur (anões) e são regidos também por Sunna que desce a morada deles no “pôr-do-sol”, estão associados a sexualidade, ao físico, a força, a fertilidade, ao artesanato e trabalhos manuais e também a sensualidade (natureza da runa Uruz). Os álfar (ljós ou dökk) não são sílfides ou seres especificamente aéreos, são muito mais do que apenas seres relacionados a algum elemento padrão.



A imagem estereotipada dos álfar os coloca como andrógenos de aparência feminina, loiros de cabelos longos, orelhas pontudas, e as vezes chapéu pontudo e etc. Só posso dizer que os álfar são muito mais parecidos conosco do que se imagina, claro que são muito diferentes de nós, são singulares, únicos, mas toda essa fantasia que estereotipa suas aparências estão recheadas de uma exagerada dose de confusão e ilusão, não procure nos livros, os álfar verdadeiros não estão nas conclusões do imaginário autoral, quer saber como um elfo realmente é? Vivencie.


- Roberto de Souza

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Diferenças entre Wicca e Bruxaria Tradicional (Pt. 2)

8. Quatro Elementos

Será que os elementos são organizados em quatro em todas as vertentes da Bruxaria?



Na Bruxaria Moderna (Wicca) sim! O sistema de compreensão dos elementos enquanto terra (sólido), ar (intelecto), fogo (desejo) e água (intuição), essas associações esotéricas também foram adotadas pela prática modernista de Gardner, Scott Cunninghan aborda amplamente diversas associações entre esses quatro elementos com a natureza humana, feiticeira modernista, animal, artística e etc. As considerações esotéricas estão muito presentes no Wicca, uma vez que a Feitiçaria Moderna nasceu no meio esotérico por volta dos anos 50 e diversos outros aspectos foram incorporados (relevância dos horóscopos, influências planetárias - de horas a dias -, espiritualismo, simbologia matemática, etc.). Os quatro elementos e suas associações esotéricas são evocados em todos os rituais modernos e seus espíritos são generalizados em: gnomos, sílfides, salamandras e ondinas (independente do panteão dos deuses a serem convocados ao ritual em questão). Acreditam que a harmonia com os quatro elementos eleva ao equilíbrio.



Na Bruxaria Tradicional (BT) não! Na verdade os elementos podem ser compreendidos em quatro em algumas tradições regionais (a exemplo das helênicas) de BT, contudo, não é uma regra para todas as tradições de BT e as tradições que possuem esse modelo de compreensão dos elementos não os associam a aspectos específicos, e muito menos, a natureza humana. As considerações de BT estão muito afastadas das associações esotéricas (a astronomia é considerada em algumas tradições; o horóscopo não tem relevância enquanto costume de BT; Saturno, Vênus, Júpiter e etc. são nomes de Deuses - Deos - romanos e não planetas - o nome desses Deuses foi dado aos planetas posteriormente, nas tradições romanas existem dias dos Deos; a simbologia tradicional é extremamente etnológica e consequentemente os símbolos não são matemáticos, etc.). Mesmo nas tradições regionais de BT que incluem os quatro elementos a evocação de seres etéreos não é um costume genérico, em algumas tradições são guardiões das direções e não seres etéreos propriamente ditos (respeita-se relevantemente o panteão com o qual se está relacionando - uma vez que cada tradição regional de BT relaciona-se APENAS com um panteão regional -, por isso não generalizam-se os seres, exemplos: gnomos são celtas, elfos são nórdicos, nymphas são gregas e faunos são romanos). Algumas tradições (a exemplo das celtas e nórdicas) relacionam-se com o equilíbrio que pode ser alcançado entre a luz e as trevas, o dia e a noite, estações, emoções e etc. Para os tradicionalistas céltico-irlandeses, por exemplo, são considerados mais de seis elementos. A BT respeita e considera a singularidade de cada tradição regional e também a singularidade de cada divindade sendo avessa a neossíncretismos.

9. Instrumentos de Poder


A chamada Bruxaria Moderna (Wicca) adotou instrumentos ritualísticos de diversas tradições diferentes e os ressignificou dando aos mesmos (novas) características, entre elas, especialmente características SEXUAIS. Segundo Doreen Valiente (iniciada de Gardner) o Wicca objetivou um viés de sexualização em prol de introduzir uma naturalização da sexualidade na sociedade (embora a homossexualidade fosse tratada pelos mesmos como algo anormal). A vassoura (italiana), o bastão (céltico) e o caldeirão (céltico) tornaram-se a união do falo masculino com a vagina feminina, o falo masculino e o útero feminino.




Nas diversas Tradições Regionais de BT (Bruxaria Tradicional) cada instrumento vai pertencer a sua tradição de origem, ou seja, por mais que bruxos italianos e nórdicos utilizem vassouras, a vassoura italiana é consagrada e confeccionada de uma forma totalmente diferente da vassoura nórdica e podem se diferenciar inclusive em suas funções. O mesmo ocorre com o bastão céltico (bata) e o bastão nórdico (gandr), mas uma coisa é certa: NÃO há significados sexuais! São instrumentos de poder de uso ritualístico e arcaico, a sexualidade tradicionalista está muito mais arraigada no corpo, na libido humana e animal, no instinto, no desejo e na arte. Sim, o sexo é tido como algo sagrado em algumas Tradições Regionais, mas isso nunca influenciou tradicionalmente nos instrumentos sagrados.

10. Vertentes e Tradições


É sabido que a Bruxaria Tradicional (BT) é um título que inclui muitas Tradições (conjunto de costumes pertencente a um determinado povo de determinada região) e Clãs (grupos de bruxos que seguem determinada Tradição ou Tradições de forma não sincrética). As vertentes da BT são justamente as suas Tradições Regionais que, sim, são europeias (Tradições Egípcias são classificadas como Magia Antiga e Feitiçaria Tradicional). Falar de Tradições Regionais é complexo, cada Tradição é muito singular, algumas são nacionais (praticada em um país amplamente) outras são literalmente regionais, e mesmo que existam Tradições que se consideram nacionais podem existir outras (obviamente pertencendo a mesma nação). Algumas das Tradições de BT mais conhecidas são: a Stregoneria (Italiana - variações: laziana, romana, etrusca e grega); a Mαγεία (Hellênica - variações: ateniense, délfica, cretence e outras); entre outras como as Tradições Irlandesas, Britânicas, da Cornuália (célticas); Germânicas como as Tradições islandesa, norueguesa, dinamarquesa, alemã e outras.




Na Bruxaria Moderna o tema é menos complexo, mas ainda o é. Enquanto as Tradições Regionais de BT são ancestrais e étnicas, as Tradições Modernas foram recentemente criadas e não obrigatoriamente com um embasamento regional, mas sim carregando os nomes de seus criadores, deuses mais cultuados ou práticas esotéricas, alguns exemplos são as Tradições: Gardneriana (idealizada por Gerald Gardner); Alexandrina (idealizada por Alexandre Sanders); entre outras como a Georgina, a Dianica, a Eclética, etc. É importante salientar que a Wicca é compreendida como uma vertente da Bruxaria Moderna e não a própria, muitos bruxos modernos não se consideram wiccans embora acreditem na Deusa (Una), no Deus Cornífero (Uno) e usem o Pentagrama como símbolo central de sua fé. A ideia de grupos modernos são os nomeados covens (que para bruxos tradicionais é uma "filial" do clã), assembleias (que para alguns bruxos tradicionais é um ritual específico), novas tradições, círculos e grovens.

11. Círculos e Espaços Sagrados


O famoso hábito de lançar círculos de energia com um instrumento que o Wicca nomeou como ‘Athame’ provém do Ocultismo do século XIX, até a própria organização do espaço interior do círculo wiccano se organiza de acordo com os princípios herméticos (quatro vias, cruzamento no centro) ocultistas. Alguns autores afirmam que o Wicca originou-se da Bruxaria Tradicional e modernizou sua prática, a verdade dessa afirmação é que provavelmente o Wicca tentou fazê-lo e conseguiu aproximar-se superficialmente de alguns aspectos de uma ou outra Tradição de Bruxaria Medieval (o que explica as deidades masculina e feminina como núcleo do culto), o trabalho com seres etéreos (que o Wicca chama de ‘Elementais’ por influência do Esoterismo Renascentista) é um aspecto que algumas Tradições de BT tem em "comum" com o Wicca, mas em BT isso é feito de maneiras completamente diferentes!




Em BT Antiga os Espaços Sagrados vão variar de Tradição para Tradição Regional, como o próprio título diz, depende dos costumes de determinada região. Acredito que ficou claro que nenhuma Tradição Regional lançava círculos como é feito na Bruxaria Moderna, na Tradição Irlandesa o Espaço é formado por um círculo de pedras que pode ser chamado de Santuário em português ou de Cromlech em inglês tradicionalmente, na Tradição Germano-Islandesa o círculo pode ser uma opção, mas não composto de pedras e sim de estacas de madeiras sagradas e cordas (muitos detalhes tradicionais são levados em consideração para validar esses espaços, não é apenas colocar as pedras ou as estacas no chão e pronto!). No caso de outras Tradições como a Ateniense o Espaço Sagrado não tem forma de círculo ou forma específica e sim um modo tradicional de estabelece-lo. As Tradições Italianas também não trabalham com espaços circulares tradicionalmente. Em BT as Tradições trabalham com os espíritos da terra para selarem o Espaço Sagrado, mas os detalhes de como isso é feito só é sabido por quem pratica.


12. Ancestralidade


Honrar os ancestrais é um costume cotidiano nas Tradições Regionais de Bruxaria Tradicional, o trabalho com esses espíritos também é explorado a modo tradicional, ou seja, singular a cada Clã e tipo de costume tradicional. Claro que existem ocasiões que propõem mais fortemente a honra, o contato e o trabalho com ancestrais, na Tradição Irlandesa, por exemplo, no último Festival do Fogo, o Samhain, os ancestrais são especialmente honrados; ocorre algo semelhante no Fallablót da Tradição Islandesa, no Agathos Daimon da Tradição Ateniense, e na Parentália da Tradição Romana. Tradicionalmente e naturalmente os ancestrais acabam sendo honrados ao menos uma vez por mês por bruxos tradicionais. Na maioria das Tradições Regionais nenhuma atividade ritualística, cerimonial ou festiva é iniciada antes de estabelecer o espaço sagrado e honrar os ancestrais que estão inclusos no que consideramos como Espíritos da Terra. Diferente da prática moderna que só honra seus ancestrais em alguns de seus Sabates específicos e o fazem de maneira distante, evitando o contato e o diálogo.

13. Mundos e Reinos


Embora seja sabido que nas antigas crenças pré-cristãs e politeístas da Europa se acredita em diversos Reinos e que inclusive alguns são muito singulares, a Bruxaria Moderna resolveu fundamentar novos reinos aos quais chama de ‘planos’ talvez por influência do Espiritismo e/ou Esoterismo. Os planos modernos são o plano superior, chamado de Terra do Verão (Summer Land), o plano físico, chamado por alguns de Mãe Terra e por outros de Universo, e o plano inferior, chamado de Submundo ou “Útero da Deusa”. Na Bruxaria Tradicional isso não é válido uma vez que somente na Tradição Ateniense são considerados no mínimo cinco (5) reinos, quatro espirituais e um mortal: o Olimpo (morada dos Theoi [Deuses]), os Campos Elíseos (destinado aos espíritos honrosos), a Geia (morada dos mortais), o Tártaros (sub-reino destinado aos espíritos desonrosos) e o Hades (sub-reino destinado a todos os espíritos dos mortos). Para os celtas da Irlanda o Reino dos Mortos nunca foi subterrâneo e se encontrava no Tír nÓg (Outro Mundo). Para os italianos o Infernus era subterrâneo, contudo, não era um lugar completamente ruim e triste incluindo diferentes Reinos em si (nessa tradição em específico o Infernus é considerado o Útero de Terrae Mater, a Mãe Terra - fato singular, não há nada de semelhante nas tradições feiticeiras: Irlandesa, Islandesa, Egípcias e Helênicas). Então, obviamente, varia de Tradição para Tradição Regional, contudo o entendimento tradicional é muito amplo nesse aspecto e não se resume apenas a três “planos”.





14. Marca do Ofício


Os modernistas desconhecem tal marca, contudo, ela é a ancestralidade do ofício do bruxo tradicionalista, é ela que carrega o antigo poder e os mistérios das tribos de origem do espírito e/ou do sangue do genuíno filho dos velhos caminhos. Encontrá-la não é algo exatamente visível, mas é ela que vai orientar a questão do destino oficial do praticante. Não a possuir não é ruim, contudo, representa um destino de necessidade de aprendizado e profundo para recebê-la na perspectiva daquele ofício em específico.


- Roberto de Souza
Magister